Mobilização cobra respostas da administração sobre pautas da Data-Base 2026 e denuncia silêncio na mesa de negociação
Servidores e servidoras do Judiciário paraense realizaram, na última quinta-feira, 30, uma série de atos públicos em diversas comarcas do estado como parte da campanha Quinta de Luta, ação promovida pelo SINDJU junto à categoria visando a cobrança pelo reajuste do vencimento-base, item principal da campanha salarial e prioridade da categoria neste momento. A mobilização ocorreu após o encerramento do prazo para uma nova reunião prometida pela administração do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que deveria avançar nas demais pautas apresentadas pelo SINDJU, além do reajuste inflacionário. Segundo o Sindicato, a gestão não apresentou datas ou compromissos concretos ao longo da última semana.

Em Altamira, a diretora Walderez Matos organizou a mobilização percorrendo as salas do Fórum local para dialogar com a categoria antes do ato central. A atividade reuniu dezenas de servidores e servidoras, que acompanharam uma retrospectiva das ações do SINDJU e o encaminhamento das pautas de reivindicação à gestão do Tribunal. “Abordamos a falta de diálogo, respeito e transparência da administração ao adiar a nova reunião para discutir a data-base”, relatou. Segundo a diretora, o processo de reestruturação do TJPA foi um dos temas mais debatidos, revelando uma base insatisfeita e disposta a adotar medidas rígidas, como paralisações ou greve.

O diretor do SINDJU, Mateus Mota, que também estava em Altamira, reforçou que o objetivo das manifestações é organizar a categoria diante de um cenário de resistência da administração em avançar em temas já amadurecidos em discussões anteriores. “O papel do sindicato é deixar bastante claro o atual contexto das nossas lutas. Uma próxima etapa será marcar uma assembleia para deliberação de que forma vamos superar esse contexto para avançar”, explicou Mota.

Em Marabá, a vice-presidente do SINDJU, Alessandra Rodrigues, e a diretora executiva da CTB Pará, Simone Moreira participaram da atividade, que reuniu os trabalhadores e as trabalhadoras no salão do júri da comarca. Durante o ato, foi discutida a recomposição do vencimento-base e outros itens da pauta de reivindicações, como plantão, sobreaviso, adicional de risco, auxílio transporte e auxílio-saúde. “A receptividade foi muito boa, eles já conheciam as pautas e sabiam da dificuldade que a gente está tendo por essa gestão não ser aberta ao diálogo”, afirmou.

A dirigente também relatou preocupações da base local quanto à precarização do trabalho. “Falamos sobre a valorização da carreira e a questão da terceirização do trabalho. Os colegas falaram que inclusive estão adoecidos pelo excesso de trabalho”, pontuou. Em Castanhal, a presidente do SINDJU, Danyelle Martins, avaliou a mobilização como positiva. “A gente teve uma boa participação dos colegas e estão todos muito indignados com a postura dessa gestão e dispostos a alterar o tom e intensificar a luta”, declarou a presidente.

As mobilizações da última quinta-feira demonstram a união da categoria em um momento crítico, expondo a indignação dos servidores com a postura da gestão em todo o estado. A expressiva participação da categoria em diversas comarcas demonstra que a base está informada e consciente de que a postura da gestão só será vencida com pressão organizada. Nos próximos passos é fundamental se manter em estado de alerta, transformando o diálogo iniciado nos fóruns em força política para a Assembleia Geral.

O SINDJU reafirma seu compromisso como representante legítimo da categoria ao capilarizar a luta por todo o interior do Pará, assegurando que as demandas de cada comarca sejam ouvidas e integradas à pauta geral. A realização destes atos simultâneos demonstra a capacidade do sindicato em organizar a base contra a ausência de diálogo e a precarização das condições de trabalho, unificando a voz dos servidores e servidoras do Judiciário em busca de dignidade profissional e valorização da carreira. Juntos somos gigantes.


