Comissão de servidores conseguiu entrar no prédio após impasse com a Polícia Militar, mas reunião termina, mais uma vez, sem definições concretas sobre a data-base
O SINDJU realizou, nesta quarta-feira, 13, um ato público em frente ao Tribunal de Justiça, na Avenida Almirante Barroso, em Belém, para cobrar o avanço das pautas da data-base e a definição de reuniões de negociação. Após as falas iniciais, uma comissão mista formada por diretores e servidores tentou ingressar no prédio para tensionar o agendamento de uma reunião com administração. No entanto, o acesso foi bloqueado pela Polícia Militar, que inicialmente impediu a entrada e, em seguida, condicionou o ingresso à retirada de placas com as reivindicações da categoria.

O bloqueio imposto pela Polícia Militar na entrada do Tribunal de Justiça configurou um grave cerceamento à liberdade de manifestação e um desrespeito à representação sindical, pois representou uma demonstração de força totalmente desproporcional ao caráter pacífico do ato, com a presença de sete viaturas policiais posicionadas para confronto, sendo três delas da ROTAM. A tentativa de impedir o acesso de uma comissão de servidores, sob a condição de que abandonassem suas placas reivindicatórias, mostra uma postura autoritária e de censura por parte da gestão. É inadmissível que um espaço democrático, que deveria prezar pela justiça e pelo diálogo, utilize um aparato ostensivo de tal magnitude para intimidar trabalhadores e trabalhadoras que buscam ser ouvidos sobre suas condições de vida e de trabalho, transformando um pleito legítimo em um cenário de confronto desnecessário.

Após muito diálogo com as diretoras do SINDJU e pressão dos manifestantes, a entrada da comissão foi autorizada. O grupo, formado por analistas, auxiliares e atendentes, foi recebido pelo secretário de administração, Maurício Crispino, mas a reunião terminou sem resultados práticos, pois o secretário afirmou não ter autonomia para encaminhamentos concretos, se limitando apenas à escuta das demandas já apresentadas anteriormente.

Durante o encontro com o Secretário, a presidente do SINDJU, Danyelle Martins, questionou a falta de cronograma para os temas pendentes. “Batemos pauta a pauta, o TJ está ciente das nossas demandas. O que a gente quer hoje, especificamente, é uma reunião para enfrentar essas pautas”, afirmou. A Vice-Presidente Alessandra Rodrigues destacou que temas como a questão do plantão estão paralisados desde a mudança de gestão. “Disseram que em 15 dias íamos retomar o debate, já estamos em maio, e nada acontece”, alegou Danyelle.

A comissão presente à reunião também manifestou sua insatisfação ao caráter meramente informativo da reunião, reforçando que o diálogo sem prazos objetivos não atende às necessidades da categoria. A preocupação do sindicato é que pautas importantes sigam para votação do Pleno do TJ sem a participação dos trabalhadores, tal como ocorreu ano passado, na gestão da mesma equipe na Presidência do Tribunal. A reunião foi encerrada sem o agendamento de um novo encontro ou apresentação de contraproposta pela administração.

Diante do grave ocorrido durante o ato desta quarta-feira, o SINDJU reafirma sua função de representação e defesa dos direitos dos servidores e servidoras perante a administração pública. A atuação da entidade em mobilizações de rua e em mesas de negociação busca garantir que a voz da categoria seja considerada nas decisões que afetam a carreira e as condições de trabalho. Diante do silêncio institucional e das tentativas de restrição à manifestação, o sindicato mantém a organização da base para assegurar o cumprimento dos prazos da data-base e valorização profissional, bem como conclama a base para estar atenta aos chamados do sindicato. Juntos somos gigantes.



