Assembleia Geral repudia ganho real de 0,61% aprovado sem diálogo e categoria decide intensificar mobilizações

Servidores consideram índice de reajuste insuficiente e mantém paralisações

O SINDJU realizou Assembleia Geral na última quinta, 21, para atualizar a categoria sobre a votação realizada no pleno na última quarta, 20, que aprovou o reajuste de 5% para a data-base 2026, representando 0,61% de ganho real para os trabalhadores. Por unanimidade, a assembleia deliberou pela rejeição do índice apresentado pela administração como insuficiente para a valorização da categoria. Decidiu, contudo, não atuar contra a tramitação do reajuste já encaminhado para a Assembleia Legislativa, mas continuar lutando para que o Tribunal envie projeto de lei complementar com índice maior de valorização para os trabalhadores do Judiciário.

Na assembleia da terça-feira, 19, a categoria havia aprovado um ato presencial no Pleno, e durante a manifestação na sessão de quarta-feira, 20, os servidores foram surpreendidos com a votação súbita do projeto. A presidente do SINDJU, Danyelle Martins, informou que, antes do início dos trabalhos, os desembargadores pediram o esvaziamento da sala para uma reunião a portas fechadas, ordenando a saída dos servidores que trabalham no Pleno. Os trabalhadores vindos das varas e demais unidades administrativas para participar da sessão aguardavam do lado de fora do recinto, com a entrada ainda impedida pela segurança. O texto do reajuste foi inserido na pauta sem constar na publicação oficial do dia, pois a diretoria do sindicato checou o documento previamente e verificou a ausência da matéria. Após o término da reunião a portas fechadas e a liberação da entrada do público, a sessão foi iniciada com a inclusão do projeto. A proposta de 5% foi aprovada de forma rápida, sem discussões por parte dos desembargadores presentes.

Após a sessão, uma comitiva de servidores se dirigiu ao gabinete da Presidência para pedir uma reunião, momento em que o sindicato enfrentou hostilidades e comentários ofensivos por parte da chefe de gabinete da Presidencia. Esse tema foi discutido na AGE e foram apresentadas propostas de reações aos ataques sofridos. 

A conduta da gestão motivou manifestações de descontentamento entre os servidores. “Muitos colegas insistiram que o sindicato deve intensificar as mobilizações. Outros sugeriram que a gente fizesse uma denúncia ao CNJ por assédio institucional, considerando a reiteração este ano do encaminhamento do índice de reajuste sem discussão com a categoria, sem negociação efetiva, e considerando também o aparato policial totalmente desproporcional no nosso último ato”, afirmou Danyelle.

Diante do cenário, a Assembleia aprovou a manutenção do calendário de paralisações parciais agendadas para os dias 27 de maio e também no ato presencial de inauguração da CIPREJ (Central Integrada de Processamento Judicial Eletrônico). Também foi definida a ampliação de denúncias públicas por meio de veículos de imprensa e instalação de outdoors, além do prosseguimento da luta por pautas históricas. A categoria busca a recuperação das perdas inflacionárias, o pagamento do auxílio transporte, a equiparação do auxílio saúde ao dos magistrados, a instituição de gratificações específicas, reestruturação do plantão e sobreaviso, entre outras pautas.

A realização desta assembleia reafirma o papel do SINDJU como o canal legítimo de representação e defesa dos direitos dos servidores perante a administração do tribunal. A capacidade de mobilizar diferentes comarcas em torno da rejeição do índice de 0,61% demonstra que o sindicato permanece estruturado para transformar a insatisfação da base em ações coordenadas. A busca por diálogo e por recomposição salarial justa depende diretamente da organização coletiva da categoria.

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