Ministério Público do Pará prorroga apuração sobre desvio de função no Tribunal de Justiça do Pará 

Órgão dá prazo de 15 dias para manifestação da Presidência do TJ sobre atribuições de cargos no Processo Judicial Eletrônico. Notícia de Fato foi instaurada a partir de representação do SINDJU

O Procurador-Geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, determinou a prorrogação por 90 dias de uma Notícia de Fato instaurada a partir de representação do SINDJU, para apurar a prática de desvio de função de servidores nas secretarias e gabinetes do TJPA. A denúncia havia sido direcionada inicialmente às Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa de Belém, que declinaram da competência e remeteram os autos à Procuradoria-Geral de Justiça em razão da matéria envolver a Chefia do Poder Judiciário Estadual. Diante disso, o despacho fixou o prazo de 15 dias para que a Presidência do Tribunal apresente sua manifestação preliminar sobre os fatos apontados pela entidade sindical.

A representação do SINDJU sustenta que a administração utiliza servidores e servidoras de níveis fundamental e médio para a realização de tarefas exclusivas de cargos de nível superior. De acordo com o documento, funcionários das carreiras operacional e auxiliar exercem as mesmas funções da carreira técnica em unidades de apoio direto. A denúncia aponta que a concessão de perfis de “Diretor de Secretaria” ou “Assessor” no sistema PJe para todos os servidores habilita e comprova a prática de atos processuais sem distinção de cargo, e que a virtualização do acervo apagou as fronteiras entre as atribuições.

Além disso, o sindicato alega que o texto aprovado do novo PCCR repetiu a omissão do antigo PCCR quanto à definição das atribuições do cargo de auxiliar judiciário no apoio direto, o que facilita a imposição de tarefas que extrapolam as do cargo original.A entidade argumenta que o TJ obtém benefício econômico ao exigir trabalho técnico qualificado mediante o pagamento de vencimentos menores aos profissionais, e requer que o MPPA exija a descrição detalhada das atribuições de cada cargo nos sistemas eletrônicos oficiais para confrontação com a escolaridade prevista na legislação.

A iniciativa de formalizar a denúncia de desvio de função perante o Ministério Público Estadual reforça o papel do SINDJU como a entidade legítima de representação e fiscalização das condições de trabalho da categoria. A atuação jurídica do sindicato contra o desvio de função e a desvalorização funcional busca restabelecer a legalidade administrativa e garantir o cumprimento das prerrogativas profissionais dos servidores e servidoras concursados no Judiciário paraense.

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