Diretoria do SINDJU conclui segundo módulo de formação sobre enfrentamento ao assédio e acolhimento de denúncias

Capacitação ministrada pelo psicólogo Manoel de Christo abordou técnicas de atendimento, responsabilidades institucionais do TJPA e preservação da saúde mental

A diretoria do SINDJU concluiu, nesta sexta-feira, 21, de forma presencial, a segunda etapa da formação voltada à prevenção e ao acolhimento de servidores e servidoras que buscam o sindicato para realizar denúncias de assédio no ambiente de trabalho, dando continuidade ao módulo iniciado no começo de 2026. Nessa etapa, o psicólogo Manoel de Christo orientou sobre os procedimentos práticos de atendimento e acompanhamento dos casos de assédio moral e sexual recebidos pela entidade.

Durante a capacitação, foram analisadas as diferentes formas de manifestação do assédio, os métodos para identificação dessas práticas no cotidiano do TJPA e a preservação da saúde mental dos servidores e servidoras como elemento central para a garantia de condições adequadas de trabalho. O debate também destacou a aplicação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece a obrigatoriedade do gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo os fatores psicossociais no ambiente laboral. Além disso, foram discutidas também as obrigações institucionais do Tribunal de Justiça no cumprimento dessas diretrizes, no enfrentamento a essas condutas e na exigência de responsabilização dos assediadores. 

O psicólogo Manoel de Cristo ressaltou a relevância da capacitação para o ambiente funcional. “O assédio é um problema que afeta as instituições e precisa ser enfrentado com seriedade. Esse fator integra os riscos psicossociais previstos na NR-1, e é fundamental que o sindicato atue para oferecer diretrizes voltadas à qualidade de vida no trabalho e à garantia de um ambiente psicologicamente seguro para os servidores”, afirmou.

O impacto do adoecimento mental no trabalho tem dimensão global. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que transtornos como depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias úteis por ano no planeta. No cenário nacional, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 200 mil afastamentos de trabalhadores por questões psíquicas em 2023, tendo a sobrecarga e o estresse crônico como fatores centrais. Esse panorama também se reflete no Judiciário paraense, onde levantamentos sindicais e dados de saúde ocupacional confirmam a elevação de licenças médicas motivadas pela cobrança excessiva de metas e pelo déficit de pessoal nos fóruns.

A diretora da CTB, Simone Moreira, explicou o propósito da capacitação para o trabalho sindical diário. “Precisamos estar preparados para receber quem chega com uma denúncia e oferecer o atendimento e encaminhamento adequados. O assédio e a sobrecarga tem afetado diretamente a saúde mental da nossa base, por isso essa formação qualifica nossa escuta e nos dá ferramentas práticas para acolher os servidores e cobrar respostas institucionais do tribunal”, afirmou. 

O SINDJU seguirá com seu trabalho permanente de averiguação das condições de trabalho nas unidades judiciárias e manterá o acompanhamento das denúncias de assédio apresentadas pelas servidoras e servidores do estado. A realização de ações formativas consolida a atuação do SINDJU na representação e proteção da categoria. Ao qualificar o acolhimento sindical e atuar contra práticas que comprometem a integridade psíquica no tribunal, o sindicato cumpre o papel de defender a saúde mental e a dignidade funcional de toda a sua base.

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