Reunião analisou dados econômicos do DIEESE e articulou unificação da categoria para AGE da próxima sexta-feira, 20
A reunião sobre a Data-Base 2026 reuniu, na última terça-feira, 17, diferentes entidades representativas da categoria em um espaço de diálogo construído a partir da iniciativa do SINDJU. Com 144 participantes simultâneos num total de 216 que estiveram conectados, o encontro teve como base a assessoria técnica do DIEESE, referência nacional em estudos socioeconômicos do mundo do trabalho.
Durante a atividade, Everson Costa, supervisor técnico do DIEESE, apresentou análises da conjuntura econômica do Estado, com dados sobre inflação, custo de vida e parâmetros que orientam o debate sobre o reajuste salarial. O momento também permitiu que entidades como SINDOJUS, ANAJUS e SINJEP acompanhassem essa exposição técnica, ampliando o acesso a informações qualificadas para a construção das propostas.
Costa apresentou um quadro que, segundo ele, coloca 2026 como o ano de maior margem para negociação dos últimos tempos. O PIB do Pará deve crescer 3,57% — quase o dobro da média nacional de 2% —, a receita total do Estado está estimada em R$ 54 bilhões e a inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou em 3,81% (IPCA), abaixo da estimativa orçamentária de 4,5%. O comprometimento do TJPA com despesas de pessoal está em torno de 3,5% da receita — um dos mais baixos entre os Tribunais do país.
O Supervisor também trouxe um alerta fundamentado em experiência recente. No acordo com os trabalhadores do comércio do Pará, a falta de alinhamento entre sindicatos dificultou avançar além de 6,79% de reajuste — mesmo com os indicadores do setor bastante positivos. “É muito ruim nós chegarmos numa mesa de negociação fragmentados”, disse o assessor, que foi direto: quando uma entidade negocia abaixo do patamar acordado entre as demais, o lado patronal usa isso como argumento para derrubar o pedido mais favorável aos servidores.
Ao longo da reunião, foram compartilhadas avaliações e perspectivas sobre a campanha salarial. Embora não tenha havido definição de uma pauta unificada sobre o percentual, houve convergência em torno da importância de garantir a presença do técnico do DIEESE na mesa de negociação com a Administração, especialmente diante do cenário da última data-base, quando sua participação não foi autorizada pela gestão do Tribunal.
A presidente do SINDJU Danyelle Martins reforçou a memória histórica da categoria. “Já teve momento em que a gente teve que fazer greve para garantir a reposição inflacionária. Nada tem vindo de graça”, afirmou, lembrando que o SINDJU está na mesa de negociação anualmente desde 2017, sem interrupções, e sempre garantiu que não houvesse perdas. As perdas que existem são de 2016, anteriores à participação do SINDJU em mesa de negociação.
A atividade foi considerada proveitosa e evidencia a importância do papel desempenhado pelo SINDJU na condução desse espaço, articulando o diálogo entre as entidades e fortalecendo um debate qualificado, baseado em dados e na construção coletiva em torno das pautas da categoria.
A reunião da próxima sexta-feira será o momento em que a categoria, reunida em assembleia, definirá soberanamente o índice e as condições a serem apresentadas ao TJPA. A expressiva participação desta terça em uma reunião preparatória com tempo médio de permanência superior a uma hora — foi destacada pelo próprio assessor do DIEESE como indicativo da disposição de mobilização da categoria. Juntos somos gigantes.


