O Coletivo de Mulheres Eneidas, do SINDJU vem a público externar sua profunda indignação e veemente repúdio à fala proferida pelo Desembargador Amilcar Guimarães durante a sessão de julgamento do PAD por assédio moral que analisou a conduta do magistrado Juliano Dantas, na última quarta-feira, 15.
A tentativa de desqualificar uma denúncia de assédio, reduzindo a dor e a seriedade do relato de uma trabalhadora, é um ato de violência inaceitável em qualquer esfera, sobretudo em um Tribunal de Justiça, onde a dignidade e o respeito deveriam ser pilares inegociáveis. Nos referimos ao trecho que, com ironia e menosprezo, buscou transformar um grave incidente em mera trivialidade:
“Convidou a moça para viajar e convidou ela para almoçar. Ela recusou. Não me lembro de ter ouvido o depoimento dela. Parece que ela diz assim, não, que ele ficou magoadinho e tal. Sorte dela que se livrou. Vai que se ela aceita, casa com ele. Então, a gente fica no plano da fofoca. Essa história de assédio moral, essa história de assédio moral, intimidação, não sei o quê, está no plano da fofoca.”
Importante explicar que no relato acima, o desembargador se refere à uma situação em que o Juiz Juliano Dantas convidou uma servidora pra jantar e viajar, e quando ela nega, “ele fica com raiva, vira a cara e depois diz pra ela não lhe dirigir a palavra”, conforme relato da servidora.
Ao rotular um depoimento de assédio como “fofoca” e ao ironizar a situação com a menção depreciativa “Vai que se ela aceita, casa com ele”, o Desembargador minimizou a gravidade da conduta do magistrado e também a coragem da mulher que ousou denunciar. Esta manifestação reflete um pensamento misógino que teima em se perpetuar nas estruturas de poder, sugerindo que o assédio no ambiente de trabalho é, na verdade, um drama romântico ou uma intriga sem importância.
Mais do que um desrespeito à vítima, esta postura institucional serve de recado a todas as mulheres, servidoras ou não, de que suas denúncias serão desqualificadas, incentivando o silenciamento e a impunidade dos agressores. Exigimos que o Poder Judiciário zele pela credibilidade das vítimas e mantenha seu compromisso com um ambiente de trabalho livre de assédio e misoginia.
O Coletivo de Mulheres Eneidas do SINDJU repudia essa postura. O assédio, seja ele moral ou sexual, não é fofoca; é uma falta grave que destrói carreiras, adoece servidoras e fere o decoro.
Exigimos que a autoridade máxima do Poder Judiciário zele pela proteção e credibilidade das vítimas, coibindo toda e qualquer manifestação que busque deslegitimar a experiência das mulheres nos espaços de trabalho. Nosso compromisso é com a verdade, a justiça e com um ambiente laboral livre de misoginia.
Pela voz e dignidade de todas as servidoras. Punição efetiva e respeito!
Coletivo de Mulheres Eneidas, do SINDJU



