Servidora do Judiciário foi alvo de agressões verbais e físicas enquanto realizava estudo social determinado pela Vara da Infância e Juventude
No exercício da sua profissão, a assistente social Viviane Rodrigues Pereira foi agredida física e verbalmente na tarde da última quarta-feira, 4, enquanto cumpria uma determinação judicial no bairro Santo André, em Santarém. O caso, registrado junto à Polícia Civil sob o número 00525/2026.100089-9, expõe a vulnerabilidade de profissionais que atuam na linha de frente da prestação jurisdicional.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, a servidora realizava uma visita domiciliar para fins de estudo social, determinada pela Vara da Infância e Juventude de Santarém. Durante os procedimentos de praxe, uma adolescente de 13 anos, alvo do estudo, iniciou uma série de insultos, gritando palavras como: “Desgraçada, vocês destruíram meu casamento, acabaram com minha vida, não quero mais que vocês venham na minha casa, não se metam na minha vida”. Após a violência verbal, a situação escalou para o contato físico – a adolescente partiu para cima da assistente social, que sofreu escoriações no antebraço direito.
No depoimento à polícia, a servidora afirmou que o episódio foi marcado por um acesso violento de raiva e que o desfecho só não foi mais grave devido à intervenção de terceiros. “Só não sofri lesões graves porque os familiares estavam presentes no local, a irmã, o cunhado e a madrasta da adolescente intervieram e a seguraram”, declarou. Diante do fato, o delegado Jaime Paixão emitiu uma requisição de perícia ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves para o exame de traumatologia e lesão corporal.
“Meu sentimento é de total insegurança e desproteção em relação às condições de segurança oferecidas pelo TJPA. A situação evidenciou que os riscos nas visitas domiciliares são reais e que não há medidas institucionais efetivas que garantam a integridade física dos profissionais, o que gera preocupação e reforça a necessidade urgente de implementação de protocolos e mecanismos concretos de segurança para as equipes multidisciplinares”, disse Viviane. “Vivenciamos todos os dias situações de risco durante nosso fazer profissional, tanto nas dependências dos fóruns quanto nas atividades externas, e ao que parece, o TJ não consegue visualizar tais riscos, e segue indiferente”.
Importante lembrar que durante a campanha do novo PCCR, o SINDJU garantiu o reconhecimento, por parte do TJPA, do direito ao adicional de risco de vida para assistentes sociais, psicólogos e pedagogos. O percentual aprovado é de 70%, o mesmo recebido pelos oficiais de justiça.
O SINDJU se solidariza com a servidora e seguirá acompanhando o desenrolar do caso, colocando à sua disposição a assessoria jurídica do sindicato, se necessário. O sindicato reafirma seu compromisso inabalável com a segurança e a integridade física de todos os seus representados e representadas, especialmente daqueles que, como membros das equipes multidisciplinares e oficiais de justiça, enfrentam riscos inerentes ao trabalho em campo. O SINDJU garante que cobrará das autoridades do Tribunal de Justiça as medidas de segurança adequadas e o suporte psicológico necessário para o exercício da profissão. Juntos somos gigantes.


